A política brasileira segue em efervescência e, em Pernambuco, um novo levantamento da Quaest joga luz sobre os receios dos eleitores. Os dados indicam uma clara divisão de sentimentos em relação aos rumos do país e aos futuros cenários políticos.

O estudo mapeou as preocupações da população pernambucana, mostrando que a volta de uma das mais influentes famílias políticas do país gera apreensão em grande parte do estado. Ao mesmo tempo, a perspectiva de outro período presidencial do atual chefe de Estado também mobiliza temores.

Essa radiografia do medo político em Pernambuco, encomendada pela Globo, entrevistou 1.302 pessoas entre 19 e 22 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais, conforme informação divulgada pela fonte.

A Divisão dos Temores no Estado

Os resultados da pesquisa Quaest, divulgados na quarta-feira (23), são expressivos ao abordar a questão do medo político. No estado de Pernambuco, 59% dos eleitores declararam ter mais receio da volta da família Bolsonaro ao poder.

Em contrapartida, 27% dos entrevistados manifestaram preocupação com a possibilidade de mais um mandato do presidente Lula (PT). Esses números revelam a intensidade da polarização que permeia o cenário político local.

Além disso, a pesquisa apontou que 4% dos pernambucanos responderam espontaneamente ter medo dos dois cenários, enquanto outros 4% afirmaram não ter medo de nenhum deles. Uma parcela de 6% não soube ou não respondeu à pergunta.

A pergunta central do levantamento foi: “O que dá mais medo hoje?”. As respostas sublinham um panorama onde a apreensão com o futuro da governança se divide majoritariamente entre os dois grandes blocos políticos do país.

Identificação Política e o Medo Refletido

O levantamento da Quaest aprofunda a análise ao detalhar os resultados conforme a identificação política dos entrevistados, mostrando como o medo político em Pernambuco é intrinsecamente ligado às preferências partidárias.

Entre os eleitores que se autodefinem como “Lulistas”, a preocupação com a volta da família Bolsonaro é quase unânime, atingindo impressionantes 94%. Percentual similar foi observado entre os que se identificam como de “esquerda não lulista”, com 93% temendo o mesmo.

Por outro lado, o temor de um novo mandato de Lula domina entre os “Bolsonaristas”, com 92% expressando esse receio. Para os eleitores de “direita não bolsonarista”, o índice de medo de Lula é de 77%.

Esses dados demonstram que as bases de apoio de cada grupo político compartilham um forte sentimento de aversão ao retorno ou à continuidade do grupo adversário no poder, evidenciando a profundidade das fissuras ideológicas.

Independentes: O Grupo Mais Dividido

Os eleitores que se declaram “Independentes” são o grupo que apresenta a maior heterogeneidade de sentimentos em relação ao medo político em Pernambuco. Diferente dos grupos polarizados, este segmento mostra uma distribuição mais equilibrada das preocupações.

Entre os independentes, 45% temem a volta da família Bolsonaro ao poder. Uma parcela de 24% receia mais um mandato de Lula. Significativos 12% têm medo dos dois cenários, enquanto 8% afirmam não ter medo de nenhum.

Outros 11% dos independentes não souberam ou não responderam à pergunta. A margem de erro para esses recortes por identificação política varia de quatro a oito pontos percentuais, para mais ou para menos, indicando a complexidade de analisar este grupo.

A divisão entre os independentes sugere um eleitorado menos engajado com as polarizações extremas, mas ainda assim preocupado com as possíveis direções políticas do país. Isso aponta para uma dinâmica eleitoral mais fluida e potencialmente decisiva em futuras eleições em Pernambuco.


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