Uma importante missão de autoridades sanitárias da China chega ao Brasil nos próximos dias para uma **avaliação detalhada do sistema brasileiro de controle de produtos de origem animal**. Esta auditoria, que se inicia no domingo (13), é vista com grande expectativa pelo setor e pelo governo federal.

A visita ocorre em um momento crucial, após a suspensão temporária de diversas unidades frigoríficas brasileiras e uma significativa queda nos embarques de carne para o mercado chinês. O objetivo principal é **reverter essas restrições** e, potencialmente, abrir novas oportunidades para as exportações.

Conforme informações divulgadas pela CNN Brasil, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) tem a expectativa de anúncios positivos, incluindo a reabilitação de plantas e a aprovação para a exportação de novos produtos, como miúdos.

Detalhes da Auditoria e Frigoríficos Envolvidos

A missão chinesa terá um caráter predominantemente técnico, focando na verificação prática dos controles sanitários adotados pelo Brasil. Serão visitados três frigoríficos estratégicos, de acordo com apuração da CNN Brasil.

As unidades selecionadas para a inspeção são o frigorífico da **JBS em Vilhena (RO)**, da **Minerva em Rolim de Moura (RO)** e da **Marfrig em Promissão (SP)**. A avaliação visa reforçar a confiança no sistema brasileiro de sanidade animal.

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, confirmou a chegada da missão para o dia 13. Ele ressaltou a importância da auditoria para o reconhecimento da qualidade e segurança dos produtos brasileiros.

O Contexto das Suspensões Chinesas

A visita dos técnicos chineses acontece em um cenário de maior rigor por parte das autoridades asiáticas. Ao longo deste ano, a China suspendeu temporariamente a habilitação de diferentes frigoríficos brasileiros.

Essas suspensões ocorreram após a identificação de **resíduos de substâncias proibidas em cargas destinadas ao país asiático**. Em maio, por exemplo, três unidades da JBS, Prima Foods e Frialto foram suspensas devido a resíduos de acetato de medroxiprogesterona, um hormônio sintético.

Ainda em abril, uma unidade da SulBeef, em Várzea Grande (MT), foi suspensa pela mesma razão. No final de maio, a unidade da JBS em Vilhena (RO), que será auditada agora, teve suas importações suspensas pela identificação de progesterona, elevando o número de plantas com restrições.

Expectativas Brasileiras: Reabilitação e Novas Habilitações

O governo brasileiro está otimista com os resultados da auditoria. O ministro André de Paula expressou à CNN Brasil a esperança de que o processo leve à **reabilitação de plantas temporariamente descredenciadas** e à **habilitação de novos estabelecimentos** para exportar para a China.

De Paula citou o sucesso de inspeções recentes de países como Japão, Coreia do Sul e União Europeia, que obtiveram resultados favoráveis, como um indicativo da robustez do sistema sanitário brasileiro. Essa auditoria chinesa é vista como mais uma prova da excelência nacional.

Além da reabilitação, há uma perspectiva positiva para a ampliação do leque de produtos exportados, incluindo **miúdos**. Em maio, a China reconheceu o Brasil como livre da febre aftosa sem vacinação, o que abre ainda mais possibilidades para o mercado.

“Esperamos reabilitar algumas plantas que foram temporariamente descredenciadas e habilitar novas plantas”, disse o ministro. Ele acrescentou: “Há perspectiva de anúncios muito positivos na área de miúdos. Estamos otimistas que essa auditoria seja, a exemplo das outras, coroada de êxito. Isso acentua que o Brasil hoje é referência no que diz respeito à sanidade animal.”

É importante frisar, contudo, que o resultado da missão não implica uma retomada automática das exportações. Após a inspeção, ainda há etapas técnicas e administrativas a serem cumpridas pelas autoridades chinesas antes de qualquer liberação.

Impacto no Comércio de Carne Bovina entre Brasil e China

A auditoria ocorre em um momento de significativas mudanças no comércio de carne bovina entre os dois países. Embora o acumulado do ano mostre crescimento, agosto registrou uma forte desaceleração nos embarques para a China.

Dados compilados pela Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) indicam que o Brasil exportou 2,2 milhões de toneladas de carne bovina entre janeiro e agosto, um aumento de 5,3% comparado ao mesmo período de 2025. A receita atingiu US$ 12,79 bilhões, crescimento de 21,7%.

Entretanto, agosto marcou uma queda de 22,2% nos embarques totais, somando 233,5 mil toneladas em relação ao mesmo mês de 2025. A China, principal destino, recebeu apenas 18,9 mil toneladas de carne bovina brasileira em agosto, uma **redução drástica de 88,2%** em comparação com o ano anterior.

Apesar da queda recente, no acumulado de janeiro a agosto, os chineses continuam líderes, com a compra de 899,2 mil toneladas e US$ 5,51 bilhões, representando **40,8% de toda a carne bovina brasileira exportada** no período.

A redução dos embarques recentes está ligada ao esgotamento da cota tarifária estabelecida pela China para a carne bovina brasileira. Uma vez atingido o limite, o produto excedente fica sujeito a uma tarifa adicional, o que impacta diretamente a competitividade da carne do Brasil no mercado chinês.


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