A gigante brasileira de cosméticos, Natura, está em um momento crucial. Após anos de expansão ambiciosa com aquisições globais, a empresa agora se depara com obstáculos significativos que impactam diretamente suas operações e resultados financeiros.
Problemas logísticos, uma reestruturação interna complexa e a ascensão de concorrentes ágeis, como marcas coreanas e de influenciadores digitais, colocam a companhia sob intensa pressão para se reinventar e recuperar seu fôlego no mercado.
A empresa busca soluções urgentes para garantir o abastecimento de produtos e acelerar o desenvolvimento de novidades, conforme apurado pela reportagem e análise de especialistas do setor.
O Que Abalou a Gigante da Beleza Brasileira?
A sequência de aquisições da Natura, que incluiu a compra da Avon em 2020, buscava posicionar o grupo entre os maiores do mundo no segmento de beleza. No entanto, a integração dessas empresas, que também contava com a australiana Aesop e a britânica The Body Shop, revelou-se um processo desafiador.
A partir de 2025, os resultados da marca Natura no Brasil começaram a evidenciar problemas de gestão. A situação se agravou neste ano, com a falta de produtos nas gôndolas, um sinal claro das dificuldades operacionais enfrentadas pela companhia.
Os impactos financeiros foram visíveis no segundo trimestre de 2026. A receita líquida do grupo, presente em oito países, registrou uma queda de 9,1% na comparação anual, totalizando R$ 5,2 bilhões.
No Brasil, onde a operação é a principal, a retração foi ainda mais acentuada, com uma queda de 14,8%, alcançando R$ 3,1 bilhões. A própria marca Natura viu seu faturamento diminuir em 14,5% no período.
Esse encolhimento da Natura contrasta com o desempenho geral do mercado. O IDAT-Cosmetics, índice do setor elaborado pelo Itaú BBA que mede os gastos do consumidor, avançou 5,6% no mesmo período, indicando que o mercado de beleza estava aquecido.
Especialistas consultados pelo UOL apontam três fatores principais para a crise da Natura: falhas na gestão do negócio, que culminaram na crise de abastecimento de produtos, a chegada de novos concorrentes e uma reorganização complexa após um plano de internacionalização que não atingiu o sucesso esperado.
A Crise de Abastecimento: Prateleiras Vazias e Impacto Operacional
A indisponibilidade de produtos foi uma marca da operação da Natura no segundo trimestre deste ano. Essa crise de abastecimento ocorreu em meio à implementação de uma atualização do sistema SAP, um software crucial para integrar dados de todos os departamentos da organização.
Além disso, a empresa realizou a troca de suas ferramentas de planejamento e redistribuiu a produção após o fechamento de uma antiga fábrica da Avon. A junção dessas mudanças impactou diretamente a capacidade de entrega da companhia.
Lucas Esteves, analista do Santander, estima que alguns itens podem levar até 90 dias para voltar à produção regular, enquanto outros podem demorar até 180 dias. Ele alerta para a possibilidade de a empresa chegar à Black Friday e ao Natal ainda desabastecida, o que seria um golpe significativo para as vendas.
Rodrigo Gastim, analista do Itaú BBA, em relatório publicado na segunda-feira (31), expressou a expectativa de que o entrave seja totalmente solucionado até o fim de 2026 ou no início de 2027, um prazo que ainda gera preocupação.
Para Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, a falha no abastecimento é especialmente grave porque

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