Governo do Nepal aceita ajuda internacional para buscas por quase 3 mil desaparecidos após desastre, enquanto o país enfrenta a crescente contagem de mortos.
O Governo do Nepal reverteu sua posição inicial e agora aceita oficialmente a ajuda da comunidade internacional. A decisão veio horas após as autoridades afirmarem que conseguiriam conduzir sozinhas as operações de resgate e salvamento no país, uma mudança significativa diante da escala da calamidade.
A mudança de postura ocorre em um momento crítico, com cerca de 3 mil pessoas ainda desaparecidas entre Nepal e China. A tragédia, desencadeada pelo colapso de uma geleira na região do Himalaia, já resultou em centenas de mortes e uma devastação generalizada que abalou a infraestrutura local.
As equipes de resgate enfrentam grandes desafios para localizar sobreviventes e corpos nas áreas atingidas, que foram severamente impactadas. Conforme informações divulgadas pela fonte, a prioridade agora é intensificar as buscas com o apoio externo, visando otimizar os esforços e alcançar mais vítimas.
Buscas Intensificadas e Ajuda Internacional
As operações de busca e salvamento ganham um novo fôlego com a chegada da ajuda internacional. Equipes especializadas da Índia já estão em campo, participando ativamente dos esforços para encontrar os desaparecidos e prestar assistência imediata às comunidades afetadas.
Um grupo de resgate da China também é aguardado, conforme as autoridades nepalesas, ampliando a capacidade de resposta. Os trabalhos se concentram na retirada de sobreviventes que estão isolados e na tentativa de alcançar um túnel de uma usina hidrelétrica, onde cerca de 100 pessoas permanecem presas.
A situação é crítica, com 2.426 desaparecidos em território nepalês e 556 no lado chinês. Entre eles, estão moradores locais, turistas, peregrinos e trabalhadores de obras de hidrelétricas, todos aguardando notícias ou resgate em meio ao cenário de destruição.
Balanço de Vítimas e Devastação
O número de mortos na tragédia continua a aumentar, evidenciando a gravidade do desastre. O balanço mais recente, divulgado neste sábado (29), aponta para 675 pessoas mortas no Nepal em decorrência das enchentes e desabamentos provocados pela catástrofe natural.
Na China, outras sete mortes foram registradas, elevando o número total de vítimas para 682. As equipes de resgate continuam encontrando corpos nas áreas devastadas, e as autoridades alertam que o total de óbitos pode crescer à medida que as buscas avançam e novas áreas são acessadas.
O desastre teve início na quarta-feira (26), quando o colapso de uma geleira lançou uma enorme quantidade de gelo, rochas, lama e detritos sobre os rios na região de fronteira entre Nepal e China. A força da água e dos detritos destruiu vilarejos, pontes, estradas, escolas, hospitais e usinas hidrelétricas, causando um impacto sem precedentes.
Desafios no Resgate e Apoio aos Sobreviventes
A cidade de Bidur, localizada a aproximadamente duas horas da capital Katmandu, é um dos pontos onde centenas de moradores aguardam helicópteros para retornar às suas comunidades. Uma base militar local foi transformada em um centro de atendimento para os sobreviventes resgatados por via aérea, oferecendo suporte emergencial.
A prioridade das aeronaves tem sido a retirada de pessoas que ainda se encontram isoladas em áreas de difícil acesso, onde as condições são precárias. Enquanto isso, familiares buscam incessantemente por informações sobre seus entes queridos desaparecidos, vivendo momentos de grande angústia e incerteza sobre o futuro.
Diante da limitação de helicópteros disponíveis, as autoridades também iniciaram a reabertura de algumas estradas. O objetivo é permitir a retirada de moradores por terra, ampliando as opções de resgate e facilitando o acesso às áreas mais afetadas pela calamidade natural, que exigem uma logística complexa.
Reconstrução Bilionária e Apelo Internacional
Além do desafio imediato de salvar vidas, o Nepal já se prepara para uma longa e custosa fase de reconstrução. O ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal, enfatizou que o país precisará de apoio internacional substancial para reerguer as áreas destruídas e restaurar a normalidade para a população.
As estimativas iniciais do ministro das Finanças indicam que a reconstrução pode custar entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões, o que equivale a aproximadamente R$ 20,8 bilhões a R$ 26 bilhões na cotação atual. Este montante ressalta a magnitude do desastre e a necessidade de solidariedade global.
A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho informou que cerca de 93 mil pessoas foram diretamente afetadas pela tragédia. Este número sublinha a vasta escala humana do desastre, exigindo uma resposta coordenada e abrangente para a recuperação e o apoio às vítimas.

Deixe um comentário