A busca por uma vida mais segura e próspera levou Nixon Pérez Paz e Glendy González de la Cruz a deixar a Guatemala e tentar a sorte nos Estados Unidos. O que deveria ser a concretização de um sonho, contudo, culminou em uma tragédia inimaginável que chocou a comunidade e expôs as duras realidades enfrentadas por imigrantes.

Após a deportação dos EUA de Nixon, Glendy decidiu retornar à sua terra natal para reunir a família. No entanto, o reencontro foi marcado por um desfecho macabro: os dois foram encontrados mortos em um canavial, vítimas de tiros, com sua filha bebê, Giovanni, gravemente desidratada, ao lado dos corpos.

Este caso emblemático, conforme informações divulgadas pela BBC News Mundo, ressoa como um alerta sobre a vulnerabilidade de muitos que buscam refúgio e oportunidades, e acabam confrontados com a violência ao retornar a seus países de origem.

O Sonho Americano e o Início de uma Jornada Incerta

Em 2019, Nixon Pérez Paz, de 43 anos, e Glendy González de la Cruz, de 25, deixaram a Guatemala, fugindo da pobreza e da violência. Eles buscavam nos Estados Unidos uma chance de recomeçar, como tantos outros imigrantes. Nixon foi o primeiro a cruzar a fronteira de forma irregular, seguido por Glendy e a filha Marisol meses depois.

Após uma breve passagem pelo Texas, a família encontrou um lar em Overland, uma cidade tranquila no Missouri, no Meio-Oeste dos EUA. Lá, Nixon trabalhava como telhadista, enquanto Glendy se desdobrava em empregos em empresas de embalagem de frutas, engarrafadoras e outras fábricas, construindo uma nova vida.

O casal teve uma segunda filha em Overland, e em março de 2021, o irmão de Nixon, Rolando Pérez Paz, também se juntou a eles, reforçando os laços familiares e o projeto de vida nos Estados Unidos.

A Detenção e a Sombra da Deportação

O drama da família tomou um rumo decisivo em 15 de abril de 2025. Naquele dia, Nixon e Rolando foram abordados por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) ao iniciar a jornada de trabalho. Algemados e com correntes nos tornozelos, foram levados para um centro de detenção, e depois, para a cadeia do condado de Phelps.

Os agentes informaram que a prisão era devido à entrada irregular no país e que seriam deportados, confirmou Rolando Pérez Paz à BBC News Mundo. O ICE, questionado pela mesma fonte, confirmou a detenção de Nixon Pérez Paz, mencionando que ele era um imigrante em situação irregular com antecedentes criminais.

Segundo o ICE, Nixon havia sido condenado duas vezes por dirigir sob efeito de álcool em Overland, Missouri, em 2020 e 2024. Ele teve uma ordem final de deportação dos EUA emitida em 21 de abril de 2025 e foi deportado para a Guatemala em maio daquele ano. Um mês depois, seu irmão Rolando também foi deportado.

Glendy, que estava grávida, permaneceu em Overland e deu à luz a terceira filha do casal. Ela se tornou uma ativista, colaborando com o comitê organizador Fuerza, do Missouri Workers Center, defendendo os direitos dos imigrantes, mesmo com seu mundo desmoronando, como relembrou a organização.

O Retorno Forçado e a Violência na Guatemala

Em junho de 2026, para proteger as filhas e manter a família unida, Glendy tomou a difícil decisão de retornar à Guatemala, temendo perder a guarda das meninas. Esta decisão foi tomada apesar de ter uma audiência de seu processo de asilo marcada para 2027, uma informação que a BBC News Mundo não conseguiu confirmar independentemente.

A família Pérez González, assim, se juntou ao número crescente de guatemaltecos deportados dos Estados Unidos, especialmente desde a chegada de Donald Trump à Presidência em 2025, com a promessa de uma


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