Um olheiro de modelos ligado a Jeffrey Epstein, o falecido criminoso sexual condenado, foi encontrado morto em sua residência. Daniel Siad, de 69 anos, foi descoberto na segunda-feira em Colombes, um subúrbio a noroeste de Paris, conforme confirmado pelo escritório da promotoria de Nanterre à BBC.

A notícia de sua morte gerou uma onda de preocupação entre as vítimas de Epstein e seus advogados, que temem que informações cruciais sobre o caso possam ser perdidas. Siad era uma figura frequentemente mencionada nos arquivos de Epstein, com seu nome aparecendo milhares de vezes nos documentos divulgados pelo governo dos EUA.

Uma investigação para determinar a causa da morte foi aberta na noite de segunda-feira, e uma autópsia será realizada, segundo informações divulgadas pela BBC.

A Descoberta e as Primeiras Investigações Sobre a Morte do Olheiro

A descoberta do corpo de Daniel Siad em sua casa, em Colombes, um subúrbio parisiense, mobilizou as autoridades locais. A promotoria de Nanterre agiu rapidamente, abrindo uma investigação para apurar as circunstâncias da morte do olheiro de modelos.

A confirmação da investigação e a realização de uma autópsia são passos iniciais para esclarecer o que aconteceu. Este procedimento padrão busca determinar a causa exata da morte, que até o momento permanece desconhecida.

As Ligações de Daniel Siad com Jeffrey Epstein e Acusações Anteriores

O nome de Daniel Siad ganhou notoriedade global após aparecer milhares de vezes nos arquivos de Jeffrey Epstein, divulgados pelo governo dos Estados Unidos. Apesar das menções, Siad sempre negou ter conhecimento das ameaças representadas por Epstein.

No entanto, uma vítima de Epstein, identificada como Anya, relatou à BBC que Siad a apresentou ao criminoso. Ela descreveu a situação como uma “armação completa”, classificando Siad como “essencialmente um traficante profissional”.

Em um e-mail a Epstein, divulgado nos arquivos, Siad escreveu em inglês com erros ortográficos: “Neste negócio me sinto como um pescador, às vezes pego rápido, às vezes não há peixe”. Essa frase sugere uma visão transacional e fria sobre o recrutamento de jovens.

Em uma entrevista recente à CNN, Siad reiterou que não sabia dos abusos sofridos pelas mulheres. “Eu confiava nele, eu acreditava que esse cara era uma pessoa profissional”, afirmou o olheiro de modelos, buscando se desvincular das atrocidades cometidas por Jeffrey Epstein.

Reclamações e Negações Pessoais na França

Além de suas conexões com Jeffrey Epstein, Daniel Siad enfrentava várias queixas na França. Entre as acusações, destacam-se alegações de estupro, com a primeira denúncia registrada em fevereiro.

Em múltiplas entrevistas recentes à mídia, Siad negou qualquer irregularidade. Em maio, ele declarou à BFMTV: “Nunca estuprei ninguém na minha vida”, defendendo-se das graves acusações que pesavam contra ele.

O Impacto na Busca por Justiça e Verdade para as Vítimas

A morte de Daniel Siad gerou grande preocupação entre as vítimas e ativistas que buscam justiça no caso Jeffrey Epstein. Uma ex-modelo, que havia prestado depoimento à polícia em junho como parte da investigação contra Siad, expressou seu temor à BBC de que informações valiosas se perderam.

“Um elo importante na cadeia acaba de desaparecer no ar, sem sequer haver chance de recuperar as informações que Daniel Siad poderia possuir, dado que ele nunca foi questionado”, lamentou a ex-modelo. Ela acrescentou: “Muito tempo foi perdido… e é mais uma forma de as pistas esfriarem. Espero que não tenhamos que esperar mais sete anos para ver sua casa revistada, embora eu ache que já é tarde demais”.

Anne-Claire Le Jeune, advogada do grupo de advogados da ONG Innocence en Danger, que impulsionou a investigação sobre Epstein em Paris em 2019, destacou que as vítimas foram privadas de um passo crucial na busca pela verdade. “Meus clientes encontraram a força para quebrar um silêncio particularmente pesado, dados os laços de Daniel Siad com Jeffrey Epstein”, disse Le Jeune.

A advogada concluiu: “É profundamente lamentável que a lentidão da investigação resultou em sua morte antes que ele pudesse ser questionado ou detido pela polícia, privando assim as vítimas de uma etapa crucial na sua busca pela verdade e justiça”. A morte do olheiro de modelos levanta um véu de incerteza sobre o futuro das investigações e a possibilidade de se obter todas as respostas sobre o esquema de Jeffrey Epstein.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *