Um contrato de R$ 113 milhões, concedido a uma empresa que tinha como única sócia uma beneficiária do Bolsa Família, levanta sérias dúvidas sobre a gestão dos bilionários recursos do leilão do 5G. A transação envolve entidades privadas que, apesar de manejarem dinheiro público, operam com pouca fiscalização e total opacidade, funcionando como um verdadeiro cofre do Centrão.
A estrutura montada para aplicar os recursos do leilão do 5G tem sido palco de movimentações suspeitas, com empresas ligadas a políticos e fundos ocultos. A revelação mais recente aponta para um esquema que utiliza uma pessoa de baixa renda como sócia de fachada em uma empresa que abocanhou uma fatia considerável desses fundos.
As investigações apontam para um complexo jogo de influências e favorecimentos, com a participação de figuras políticas proeminentes. Conforme informações divulgadas pelo UOL, este cenário expõe a fragilidade dos mecanismos de controle sobre bilhões de reais destinados a projetos de infraestrutura essencial para o país.
A Contratação Milionária e a Mudança de Mãos
A empresa Bital Internet, com sede no Maranhão, foi a agraciada com um contrato de R$ 113 milhões para levar internet a escolas públicas, por meio da Entidade Administradora da Conectividade de Escolas (Eace). O que choca é que, até pouco tempo antes, a única sócia da Bital era Francisca Rodrigues de Carvalho, uma mulher que, em 2024, declarou judicialmente ser de baixa renda e praticar atividade rural desde os oito anos de idade.
Francisca, que recebia um salário de cerca de R$ 1.500 da Bital entre 2023 e 2024, deixou a sociedade em 30 de março, apenas quatro dias após a assinatura do vultoso contrato com a Eace. Imediatamente, a Bital passou a ser comandada pela FJMW Participações, um grupo de empresários maranhenses recém-aberto em março. Este mesmo grupo também controla a ST1 Internet, que assinou um contrato de R$ 158 milhões com a Eace no mesmo dia da Bital, totalizando R$ 271 milhões para o grupo do Maranhão.
Essa operação permitiu aos empresários maranhenses ficarem com 33% das escolas desta fase das obras, mesmo diante de um critério de seleção da Eace que previa limitar a participação de cada fornecedor a 20% do volume total de unidades, como forma de mitigação de riscos. O Maranhão é o berço político do ex-ministro das Comunicações, Juscelino Filho.
Influência Política e a Opacidade dos Fundos do 5G
A estrutura de gestão dos R$ 9,4 bilhões do leilão do 5G é dominada por aliados do senador Davi Alcolumbre (União-AP) e do ex-ministro Juscelino Filho (PSDB-MA). Essas entidades, Eace e EAF (Entidade Administradora da Faixa 3.5 GHz), atuam com dinheiro de uso público, mas sob um caráter privado, o que as isenta da obrigação de realizar licitações ou dar transparência aos gastos, transformando-as em um cofre secreto do Centrão.
Alcolumbre, por meio de nota, afirmou que as nomeações para o Ministério das Comunicações e demais órgãos são de competência do Executivo, enquanto Juscelino negou ter indicado seus ex-assessores para as entidades. No entanto, a influência do grupo de Alcolumbre é notável em postos-chave do setor, incluindo o Ministério das Comunicações, a Anatel e a Telebras.
A Eace, por exemplo, abrigou Rafaela Calado, ex-chefe de gabinete de Juscelino, que também apadrinhou o presidente da entidade, Flávio Ferreira. O diretor jurídico, Luis Gustavo Freitas da Silva, é um dos fundadores de um instituto ligado ao ex-ministro, evidenciando a teia de relações que permeia a gestão desses recursos.
Outras Contratações Sob Suspeita
Além do caso da Bital, outras contratações levantaram bandeiras vermelhas. A EAF abriu um processo para contratar uma empresa para serviços sob demanda, incluindo

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