O funeral de Estado do falecido líder supremo iraniano Ali Khamenei começou neste sábado (4) em Teerã, atraindo milhares de fiéis em uma poderosa exibição de unidade nacional e desafio. A cerimônia, realizada quatro meses após sua morte em bombardeios atribuídos a Israel e aos Estados Unidos, é marcada por um forte sentimento antiamericano e exigências de retaliação.
Milhões de iranianos se reúnem na Grande Mosalla, um vasto complexo religioso, para prestar suas últimas homenagens. O evento, que se estenderá por seis dias, busca ser uma clara demonstração de força em meio a delicadas negociações diplomáticas entre Irã e Estados Unidos, após a assinatura de um acordo-quadro para encerrar o recente conflito.
Com o caixão do aiatolá exposto e seu emblemático turbante preto sobre ele, os participantes entoam cânticos e exibem cartazes que refletem a profunda raiva e o desejo de justiça, conforme informações divulgadas pela agência de notícias AFP.
A Despedida do Líder Supremo e o Clamor por Vingança
Majoritariamente vestidos de preto, os milhares de participantes se reuniram na Grande Mosalla desde a manhã de sábado. Muitos empunhavam bandeiras xiitas vermelhas com a inscrição “Mártir”, simbolizando o sacrifício e a devoção ao líder supremo.
Segundo um jornalista da AFP, alguns participantes entoaram vigorosamente “Vingança!”, além dos frequentes slogans “Morte aos Estados Unidos, morte a Israel!”. A atmosfera era carregada de emoção e determinação.
Cartazes vermelhos com a hashtag “#MatarTrump” também foram vistos, um ato simbólico no mesmo dia em que os Estados Unidos celebram o 250º aniversário de sua independência. Isso sublinha a intensificação da retórica anti-EUA durante as cerimônias.
Reza, um professor universitário de 37 anos, expressou o sentimento geral: “Prometemos ao líder supremo que permaneceremos com ele até o fim. Todas essas pessoas estão aqui por ele”, destacando a lealdade inabalável dos fiéis.
Uma Demonstração de Força em Meio à Tensão Geopolítica
As autoridades iranianas preveem que entre 15 e 20 milhões de pessoas participem dessas homenagens apenas em Teerã. Se confirmada, essa seria a maior concentração da história do país, sublinhando a importância do evento para a consolidação do poder e a unidade nacional.
O evento, que durará seis dias, é estrategicamente posicionado em um momento de tensas negociações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Irã. A demonstração de massa serve como um lembrete da influência e do apoio popular ao regime, mesmo após a morte do aiatolá Ali Khamenei.
O centro da capital iraniana foi transformado em uma fortaleza, com numerosos controles policiais, constatou a AFP. Essa medida de segurança reforçada ocorre seis meses após importantes manifestações populares contra o alto custo de vida e o governo, mostrando a preocupação com a estabilidade interna.
O Legado de Khamenei e a Questão da Sucessão
Ao lado do caixão de Ali Khamenei, estão os de seus familiares que, segundo as autoridades, morreram junto com ele: uma de suas filhas, um genro, uma nora e uma neta de 14 meses. Essa presença simboliza a perda coletiva e reforça a narrativa de martírio.
A imagem do dirigente com o punho erguido, símbolo da resistência que ele reivindicava frente ao Ocidente, permanece onipresente no recinto. Essa iconografia reforça a mensagem de desafio e resiliência que o Irã busca transmitir ao mundo.
A presença do filho de Khamenei, Mojtaba, que o sucedeu no início de março como guia supremo, não foi confirmada. Supostamente ferido durante os ataques que mataram seu pai, o dirigente se expressa apenas por meio de mensagens escritas e não apareceu em público, levantando questões sobre sua saúde e visibilidade.
Vários altos funcionários iranianos e alguns dignitários estrangeiros prestaram na sexta-feira uma última homenagem ao líder supremo. O chefe da Guarda Revolucionária, Ahmad Vahidi, nomeado para o cargo no início de março após a morte de seu predecessor, fez sua primeira aparição pública desde o início da guerra, reforçando a imagem de continuidade e força militar.
Rota Fúnebre e Preparativos para a Grande Homenagem
O caixão permanecerá exposto dia e noite até segunda-feira na Mosalla, antes de uma procissão pelas ruas da capital, permitindo que mais fiéis prestem suas homenagens. Essa etapa é crucial para envolver a população de Teerã na despedida.
Após as cerimônias na capital, o caixão fará escala em várias cidades do Irã e do Iraque, incluindo uma visita a dois santuários xiitas em território iraquiano. O funeral culminará em seu sepultamento em 9 de julho na cidade santa de Mashhad, no nordeste do Irã, onde Ali Khamenei nasceu.
Para receber iranianos de todo o país, mais de 400 tendas do Crescente Vermelho iraniano foram instaladas em um grande parque da capital, verificou a AFP. Caminhões-pipa também foram colocados, prontos para refrescar a multidão diante de temperaturas que devem ultrapassar os 35°C, garantindo o bem-estar dos milhões de participantes.

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