As recentes eleições em São Paulo revelaram não apenas os nomes dos parlamentares mais votados, mas também as distintas estratégias financeiras empregadas por suas campanhas. Uma análise aprofundada dos gastos mostra uma clara dicotomia entre os campos políticos no estado.
Enquanto a direita concentrou gastos em redes sociais e impulsionamento digital massivo, a esquerda aposta em ‘santinhos’ e materiais gráficos impressos, refletindo diferentes abordagens para alcançar o eleitorado paulista de forma eficaz.
Este levantamento considerou os seis candidatos eleitos com mais de 500 mil votos para a Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa (Alesp), detalhando os investimentos em plataformas digitais e mídias tradicionais, conforme informações divulgadas pela Justiça Eleitoral.
A Estratégia Digital da Direita Paulista
Os candidatos da direita de São Paulo, especialmente aqueles filiados ao Partido Liberal (PL), demonstraram uma forte preferência por investimentos em plataformas digitais. O deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL), o mais votado na história de São Paulo com mais de 3 milhões de votos, é um exemplo notável dessa tendência.
Pavanato declarou despesas totais de R$ 2,7 milhões, dos quais impressionantes R$ 1,35 milhão, ou 50% do total, foram destinados a ações digitais e impulsionamento de conteúdo. Sua forte presença online, com cerca de 5,5 milhões de seguidores no Instagram, corrobora essa estratégia.
Seguindo a mesma linha, a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL), que obteve 1,9 milhão de votos, alocou cerca de R$ 400 mil para impulsionamento em redes sociais. Esse valor representa 61% de suas despesas totais de R$ 654 mil, evidenciando seu foco no ambiente digital, onde acumula aproximadamente 2,5 milhões de seguidores.
Ambos os parlamentares já eram influenciadores conservadores antes de ingressar na política, o que explica a naturalidade com que suas campanhas priorizaram as redes sociais como principal vitrine eleitoral. Essa abordagem é um dos pilares para entender os gastos em redes sociais entre os deputados mais votados de SP.
Em uma estratégia intermediária, o deputado federal Kim Kataguiri (Missão), reeleito com 520 mil votos, declarou despesas totais de R$ 469 mil. Ele dividiu seus investimentos quase igualmente, destinando R$ 118 mil ao impulsionamento digital, o equivalente a 25,2%, e R$ 116 mil a material gráfico e serviços de postagem, 24,7%.
A Preferência da Esquerda por Materiais Impressos
Em contraste com a direita, os principais nomes da esquerda paulista, como as deputadas do PSOL, Erika Hilton e Sâmia Bomfim, priorizaram os materiais impressos em suas campanhas. A deputada federal Erika Hilton (PSOL), reeleita com 1,59 milhão de votos, investiu R$ 1,63 milhão em sua campanha.
Desse montante, apenas R$ 188 mil foram direcionados a impulsionamento e estratégias digitais, correspondendo a 11,5% do total. Em contrapartida, os gastos com material gráfico consumiram R$ 453 mil, ou 27,8%, mostrando que a aposta em ‘santinhos’ e panfletos ainda é forte.
A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL), reeleita com mais de 583 mil votos, seguiu uma tendência semelhante. Suas despesas com comunicação digital e impulsionamento somaram R$ 400 mil, enquanto a produção de materiais impressos foi a principal despesa, consumindo R$ 775 mil, ou 39,2%, de um total de R$ 1,98 milhão.
Já o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT), reeleito com 654 mil votos, realizou uma campanha com despesas consideravelmente menores, totalizando cerca de R$ 90 mil. Desse valor, R$ 30 mil foram para ações digitais (30,6%), enquanto apenas R$ 2 mil foram destinados a serviços gráficos (2%), uma proporção bem diferente dos demais.
Contrastes nos Gastos e Alcance Eleitoral
O levantamento destaca que, juntos, os seis candidatos considerados somam mais de 18 milhões de seguidores no Instagram. No entanto, a forma como esses seguidores foram engajados e como novos eleitores foram alcançados variou drasticamente entre os campos políticos.
Os dados reforçam a percepção de que a direita concentrou gastos em redes sociais, utilizando impulsionamento para amplificar mensagens, enquanto a esquerda aposta em ‘santinhos’ e a distribuição de material gráfico como ferramentas essenciais para sua comunicação direta com o eleitorado.
Essa disparidade nas estratégias de campanha entre os deputados mais votados de SP reflete não apenas diferentes perfis de candidatos e eleitores, mas também uma adaptação às dinâmicas de comunicação em um cenário eleitoral cada vez mais polarizado e digitalizado.

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