Há mais de quatro décadas, o estado de São Paulo tem uma particularidade marcante em seu histórico político: a ausência de um governador oriundo de partidos tradicionalmente identificados com a esquerda.

Desde a retomada das eleições diretas, em 1982, o Palácio dos Bandeirantes foi ocupado por líderes do PMDB, do PSDB e, mais recentemente, do Republicanos, consolidando uma trajetória política de centro e centro-direita.

Esse fenômeno, que moldou a política paulista por gerações, é detalhadamente analisado pelo cientista político Henrique Curi, professor da FESP-SP, em seu estudo, conforme informações divulgadas pelo g1.

Uma Hegemonia de Quase Três Décadas: PMDB e PSDB no Palácio dos Bandeirantes

A primeira eleição direta para o governo de São Paulo após a ditadura militar, em 1982, consagrou Franco Montoro, do PMDB. Ele foi o primeiro de uma sequência de três governadores do partido, sucedido por Orestes Quércia, eleito em 1986, e Luiz Antônio Fleury Filho, em 1990.

Em 1994, uma nova era começou com a vitória de Mário Covas pelo recém-fundado PSDB. A partir desse momento, a legenda estabeleceu uma impressionante hegemonia, conquistando sete vitórias consecutivas, de Covas a João Doria, em 2018.

Essa sequência de quase 30 anos, a maior de um partido para o governo estadual no Brasil no período analisado por Curi, só foi interrompida em 2022, com a eleição de Tarcísio de Freitas, do Republicanos.

O Segredo da Longevidade Tucana: Organização e Liderança Municipal

A persistente dificuldade da **esquerda em eleger governador de SP** e a longevidade do PSDB não se explicam apenas pelo perfil do eleitorado paulista, que muitos veem como de centro-direita. Para Henrique Curi, a chave reside na robusta organização partidária e institucional dos tucanos.

O PSDB paulista se destacava por sua capacidade de monitorar e atuar nos 645 municípios do estado. Contava com uma Executiva estadual atenta e coordenadores regionais, que garantiam uma presença capilar em todas as regiões de governo.

A legenda utilizava um sistema interno, a


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