Denúncias de Assédio Eleitoral Agitam Parque Municipal em São Paulo com Gestora Pedindo Votos a Ex-Secretário
Funcionários do Parque Nascentes do Ribeirão Colônia, localizado em Parelheiros, na zona sul de São Paulo, denunciaram ter sido alvo de pressão política por parte da administradora da unidade. O caso, que envolve um pedido de votos para um ex-secretário municipal, levantou sérias preocupações sobre a conduta no serviço público.
A gestora, Cassia Santos Lima, teria reunido cerca de 20 trabalhadores durante o expediente para solicitar apoio à candidatura de Rodrigo Ashiuchi, ex-secretário do Verde e Meio Ambiente da gestão Ricardo Nunes, que agora concorre a deputado estadual pelo PL.
Gravações obtidas por veículos de imprensa revelam a gestora mencionando o número do candidato e indicando que a orientação para o pedido de votos teria partido da própria secretaria, conforme informações divulgadas pelo g1.
O Pedido de Votos e o Constrangimento dos Trabalhadores
Nos áudios obtidos, a gestora Cassia Santos Lima é ouvida direcionando os funcionários. Ela afirma: “Na minha equipe eu peço [voto] geralmente para a família Leite, mas quem puder contribuir para a votação de deputado estadual com o Rodrigo Ashiuchi, eu vou pedir a contribuição de todos pra que se puder, faça.”
A administradora fez questão de ressaltar que a solicitação não era uma ameaça, mas sim uma “orientação que foi me passada, então estou repassando pra todos vocês”. Ela concluiu o pedido afirmando: “Se vocês puderem, eu peço encarecidamente que votem no secretário.”
Os funcionários, que atuam nas equipes de segurança, limpeza, jardinagem e no setor administrativo do parque, relataram ao g1, sob condição de anonimato, sentir-se constrangidos e com receio de sofrer represálias caso não seguissem a orientação da gestora de parque municipal.
A pressão, segundo os relatos, não se limitou apenas ao pedido de voto. Cassia Santos Lima também teria convidado os trabalhadores para participar de eventos de campanha no contraturno, prometendo enviar as datas e locais de forma particular. Um funcionário afirmou que ela “chamou algumas pessoas pra trabalhar segurando faixa, colocar placa na rua, fazer boca de urna”.
Investigação e as Reações dos Envolvidos
Diante das denúncias, a Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo informou que já está investigando o caso, que foi distribuído a um dos procuradores da área eleitoral para análise. A Prefeitura de São Paulo, por sua vez, anunciou que irá instaurar um processo administrativo para apurar a conduta da gestora.
Em nota, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) afirmou que “não solicita apoio eleitoral a candidatos e nem compactua com qualquer tipo de convocação de servidores para participação em atividades de natureza político-eleitoral”.
A campanha de Rodrigo Ashiuchi também se pronunciou, negando qualquer conhecimento ou autorização para tais reuniões. “A campanha de Rodrigo Ashiuchi não solicitou, autorizou, incentivou ou teve conhecimento de qualquer reunião com funcionários do Parque Nascentes do Ribeirão Colônia com a finalidade de solicitar votos”, declarou a assessoria.
A campanha do ex-secretário ressaltou que ele não exerce mais a função na SVMA desde março deste ano e que respeita a liberdade de escolha dos eleitores. Informou, ainda, que oficiou a pasta municipal para a devida apuração dos fatos. O g1 tentou contato com Cassia Santos Lima, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) lembrou que a legislação eleitoral brasileira garante que o voto é livre e secreto, e veda qualquer forma de constrangimento ou pressão. O uso da relação hierárquica no ambiente de trabalho para pedir votos pode caracterizar assédio eleitoral e abuso de poder político, além de uso indevido da estrutura pública, prevendo multas e até cassação.
Conexões Políticas e o Cenário Eleitoral
Rodrigo Ashiuchi, que foi prefeito de Suzano por dois mandatos, comandou a SVMA da gestão Ricardo Nunes de janeiro de 2025 a março de 2026, por indicação do PL, antes de deixar o cargo para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
A entrada do Parque Nascentes do Ribeirão Colônia, onde as denúncias ocorreram, estava recentemente repleta de materiais de campanha de Ashiuchi, além de outros candidatos do PL, como André do Prado, presidente da Alesp, e dos filhos parlamentares do ex-vereador Milton Leite.
Cassia Santos Lima mantém em suas redes sociais registros frequentes de participação em eventos partidários ligados ao grupo político de Milton Leite, que possui forte influência na região. Funcionários indicaram que ela obteve o cargo de administradora do parque em dezembro de 2022 por indicação da “família Leite”, com remuneração mensal bruta de R$ 6.686,50.
Em um vídeo publicado este ano, ela agradeceu ao vereador Silvão Leite (União Brasil), apadrinhado por Milton, pela “oportunidade de fazer o que eu faço”. Seu perfil também exibe fotos recentes ao lado do ex-secretário Ashiuchi, evidenciando as conexões políticas da gestora de parque municipal.

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