O recente roubo de R$ 1,86 bilhão na corretora Bitget adiciona um capítulo alarmante à crescente lista de golpes com criptomoedas que têm abalado o mercado digital. Este incidente reforça a preocupação com a segurança e a vulnerabilidade das plataformas de ativos digitais.

Ataques cibernéticos têm se tornado uma ameaça constante, com criminosos cada vez mais sofisticados na exploração de falhas para desviar fundos. A agilidade com que esses recursos são movimentados entre países, muitas vezes sem o escrutínio do sistema financeiro tradicional, é um desafio para as autoridades.

No ano passado, invasores conseguiram roubar impressionantes US$ 2,9 bilhões em criptomoedas, em quase 150 ataques distintos, conforme revelado por pesquisadores da TRM Labs.

A Ascensão dos Roubos de Criptomoedas e o Caso Bitget

O cenário de segurança no universo das criptomoedas tem sido desafiador. Autoridades de diversos países, incluindo o FBI, alertam que grupos do crime organizado utilizam as moedas digitais para transferir valores rapidamente entre fronteiras, escapando do rastreamento convencional.

Neste contexto, o recente ataque à Bitget, divulgado na sexta-feira, 25, resultou no desvio de cerca de US$ 350 milhões, o equivalente a R$ 1,86 bilhão. Este valor expressivo posiciona o incidente entre os maiores roubos de criptomoedas já registrados.

Bybit e Poly Network: Prejuízos Bilionários e Recuperações Parciais

Entre os episódios mais chocantes, destaca-se o da corretora Bybit, onde um recorde de US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 7,95 bilhões) em ethers foi roubado em fevereiro de 2025. Pesquisadores classificaram este como o maior roubo de moedas digitais até o momento.

O FBI chegou a afirmar que a Coreia do Norte foi a responsável por este ataque massivo, com os recursos sendo rapidamente convertidos e distribuídos por milhares de endereços em diferentes blockchains. A Coreia do Norte, por sua vez, negou qualquer envolvimento em golpes com criptomoedas.

Outro caso notório envolveu a Poly Network, uma plataforma que facilita transações de tokens. Em agosto de 2021, hackers conseguiram roubar cerca de US$ 610 milhões (R$ 3,23 bilhões). Contudo, em um desfecho incomum, quase todos os recursos roubados foram posteriormente devolvidos.

Ronin Network, Coincheck e o Pioneiro Mt. Gox: Uma Retrospectiva de Grandes Golpes

A Ronin Network, uma rede que permite a transferência de criptomoedas entre blockchains, foi alvo de um ataque em março de 2022. Hackers roubaram criptomoedas avaliadas em cerca de US$ 540 milhões (aproximadamente R$ 2,86 bilhões), vinculadas a um projeto de blockchain do popular jogo online Axie Infinity.

Este ataque específico resultou na perda de cerca de 173.600 ethers e 25,5 milhões de tokens USD Coin, evidenciando a vulnerabilidade de projetos de grande visibilidade no ecossistema cripto.

Voltando a janeiro de 2018, a corretora Coincheck, sediada em Tóquio, sofreu um roubo de aproximadamente US$ 530 milhões (cerca de R$ 2,81 bilhões) em criptomoedas. Os invasores atacaram uma “hot wallet” da empresa, uma carteira digital conectada à internet, para drenar os fundos.

Na época, a agência de inteligência da Coreia do Sul sugeriu que um grupo de hackers norte-coreano poderia estar por trás deste grande golpe com criptomoedas.

Um dos primeiros e mais emblemáticos casos de roubo de criptomoedas ocorreu com a Mt. Gox, em Tóquio. Entre 2011 e 2014, bitcoins avaliados em quase US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,65 bilhões) foram desviados da então maior corretora de Bitcoin do mundo.

A Mt. Gox, que chegou a ser responsável por 80% das negociações globais de Bitcoin, declarou recuperação judicial no início de 2014 após a revelação do ataque, deixando cerca de 24 mil clientes sem acesso aos seus recursos. Estes incidentes históricos servem como um lembrete constante dos riscos associados ao mercado de criptomoedas.


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